Para quem não conhece ou para quem quer guardar com carinho esta homenagem especial que o professor Jeremias fez aos alunos no Dia do Estudante, segue, na íntegra, este lindo texto:
A vida é como uma biblioteca
Esforçando-me para ficar em casa e suportar o calor nestes dias de intensa elevação da temperatura, ao olhar para meus livros na estante, me veio à mente um pensamento que tive ontem quando procurava estabelecer um rótulo para alguns momentos da vida. “A vida é como uma biblioteca”.
Se pensarmos nossa vida como uma biblioteca, poderemos adentrá-la sem pedir licença. Ou talvez, seja preciso que respeitemos o seu horário de visitação, pois nem sempre nós mesmos temos acesso a nossa própria vida quando queremos. A felicidade na vida é inerente ao seu uso correto, sem dispormos de disfarces no caráter, sem máscaras ou permutas na personalidade apenas para instituirmos uma falsa imagem.
Só é possível termos acesso a nossa própria vida, se de fato, sermos nós mesmos afirmando e reconhecendo com prazer a nossa personalidade. Para H. Glassie, ser um humano é ser único e não ser sozinho, ser ao mesmo tempo indivíduo e também membro de uma sociedade. Deste modo, percebemos com este pensamento apresentado por Glassie que um indivíduo é ímpar tendo que tornar-se próprio e exclusivo diante de um oceano de influências, valores e modelos de conduta em voga que se encontram pré-estabelecidos em meio à sociedade.
No mundo em que vivemos somos vistos na maioria das vezes apenas como consumidores e não como pessoas. Desta forma, precisamos entender que o nosso capital econômico pode comprar roupas, sapatos, acessórios, até um novo corte de cabelo. Mas, não pode comprar personalidade, ela não está à venda no shopping e não pode ser ridicularizada aos moldes do consumo e da obsolescência programada. Ou seja, a nossa personalidade não pode ter um prazo de validade, ela tem que resistir ao tempo.
A cada dia precisamos ser sábios e corajosos em nossas escolhas. Acordarmos em um mundo interligado e sermos nós mesmos a cada instante, e isso, não é tão fácil como parece. É preciso ser você mesmo no trabalho, às vezes sob pressão e mesmo assim necessitando manter a sua concentração no que está fazendo. É preciso ser você mesmo na escola ou na faculdade procurando desligar-se do mundo que o espera após o término da aula. É preciso ser você mesmo no íntimo aconchego da sua casa. É preciso ser você mesmo ao tomar chimarrão com seus amigos ou ainda ser você mesmo em uma rede social onde você pode ter centenas de amigos ou seguidores. Então, como é ser você mesmo? Você saberia definir-se em algumas palavras?
Talvez, precisemos pesquisar em livros nossas intenções. Quem sabe seja preciso nos associar a nós mesmos, sermos cúmplices das nossas próprias loucuras ou amantes da nossa solidão. Quem sabe, sejamos estudiosos compenetrados em nossas cientificidades ou romancistas bobos a espera de Vittoria Vetra. E claro, já ia me esquecendo, vamos precisar de uma senha de oito dígitos, elaboradas com letras e números. Pois, no mundo de hoje, sem uma senha não temos acesso a nada, nem a nossa biblioteca particular.
Para alguns, talvez, a vida seja uma biblioteca pobre, sem muitos livros, sem muita cultura. Ou então, para outros, a vida seja uma biblioteca rica em grandes obras, clássicos, best-sellers, livros de diversas áreas do conhecimento. Dentro desta biblioteca chamada vida, cada período seria representado por uma obra, e cada título seria dado por nós, os únicos e verdadeiros autores da nossa história, conforme o sentimento mais marcante no momento em que a história tenha se passado. Mas, no entanto, o que realmente importa, é que haja lá, ao menos em alguma prateleira empoeirada ou oculta num canto escuro da biblioteca sempre um livro novo. E este, deverá conter suas páginas em branco, para que possamos escrever sempre uma nova história em nossas vidas.
Por Jeremias Machado Silva - Mestrando em História pelo PPGH da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. PUCRS, Porto Alegre. Professor do Instituto Laura Vicuña. Rede Salesiana de Escolas, Uruguaiana – RS.
Um texto muito bem elaborado e que retrata de uma forma conotativa e denotativa o que é a vida de uma pessoa comum!
ResponderExcluirJeremyas é demais!